Investigação da UÉ focada no melhoramento de sementes para agricultura biológica

A Universidade de Évora (UÉ) integra o projeto europeu LIVESEED focado no melhoramento de sementes como estratégia para potenciar o desempenho e competitividade do setor da agricultura biológica.

Coordenado por Hélia Cardoso, Investigadora do Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) da Universidade de Évora, o projeto “Improve performance of organic agriculture by boosting organic seed and plant breeding efforts across Europe” (LIVESEED), visa contribuir fortemente para aumento do desempenho e competitividade do setor da agricultura biológica, tendo como estratégia o melhoramento de sementes com nível superior de resiliência perante as condições de stress ambiental.

Constituído por 49 parceiros de 18 países Europeus, incluindo Institutos de Investigação, empresas de melhoramento de plantas, empresas de produção de sementes, Associações de Agricultura biológica (incluindo produtores, setor de processamento e venda) e Autoridades Nacionais, o trabalho em curso na UÉ está focado na avaliação/seleção de sementes tolerantes/resistentes a stresses abióticos, em particular a stress hídrico e térmico, utilizando a calorespirometria como técnica de rastreio (fenotipagem).

A investigadora da UÉ esclarece que “a calorespirometria, baseada na determinação do calor emitido pela semente durante o processo de germinação, permite a determinação de parâmetros respiratórios através da promoção de uma reação exotérmica durante o procedimento de análise”. Sendo a germinação caracterizada pela ativação de diversos processos metabólicos, inclusivamente a respiração celular, “a aplicabilidade da calorespirometria, apresenta-se como uma abordagem promissora na previsão da viabilidade das sementes, sem necessidade de estabelecer demorados ensaios de germinação comumente utilizados na análise da viabilidade”. A aplicação desta técnica em sementes de ervilha revelou já resultados bastante promissores ao permitir identificar variedades com diferentes eficiências ao nível da germinação.

Adicionalmente, a equipa da Universidade de Évora, composta também pelas investigadoras do MED, Lénia Rodrigues e Ana Elisa Rato, professora do Departamento de Fitotecnia da Escola de Ciências e Tecnologia da UÉ, e dois consultores externos, Lee Hansen (Professor na Brigham Young University, USA) e Amaia Nogales (investigadora do LEAF – Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food, ISA - Lisboa), associou à calorespirometria a espectroscopia do infravermelho próximo com transformada de Fourrier (FT-NIR).

A espectroscopia FT-NIR “é uma técnica rápida de execução simples e não destrutiva, que não requer qualquer preparação ou manipulação da amostra, nem utilização de reagentes pelo que há muito que é utilizada em produtos alimentares para a determinação de alguns parâmetros de qualidade” faz saber a professora Ana Elisa Rato, responsável pela aplicação desta técnica. No contexto deste projeto, a utilização da espectroscopia FT-NIR “tem como objetivo desenvolver uma metodologia que aplicada às sementes intactas as possa classificar quanto à sua viabilidade”, sublinha a investigadora do MED. Os resultados preliminares obtidos com sementes de ervilha revelaram o potencial que a técnica apresenta não apenas na discriminação de sementes com diferenças ao nível da sua viabilidade, mas também ao nível da distinção varietal.

A equipa da Universidade de Évora pretende desta forma estabelecer metodologias promissoras que possam incrementar o potencial de análise e seleção de sementes, apresentando-se como ferramentas ao dispor das instituições de melhoramento e produção de sementes.

Recorde-se que o agravamento das alterações climáticas e a sensibilização para modos de produção mais sustentáveis tem levado a Europa a implantar vários programas de melhoramento focados no aumento da resiliência perante stresses ambientais, sendo fundamental o estabelecimento de ferramentas de fenotipagem capazes de apoiar esses programas de melhoramento.

Com coordenação geral da International Federation of Organic Agriculture Movements European Union Regional Group (IFOAM EU), e coordenação científica do Research Institute of Organic Agriculture (FiBL-CH), integram este consórcio a nível nacional, para além da UÉ, o Instituto Politécnico de Coimbra (Escola Superior Agrária) e a Sementes Vivas, uma empresa privada com atividade no setor da produção, processamento e comercialização de sementes biológicas.

O projeto LIVESEED (Grant Agreement No 727230), com início em 2017 contou com um orçamento global de 7.5m EUR ao abrigo do Quadro comunitário Horizonte 2020 (H2020-SFS-2016-2017/H2020-SFS-2016-2) para um período de 4 anos, esperando-se que, entre outros, desenvolva novos conceitos de melhoramento, ferramentas de seleção e recursos genéticos, novas redes para colmatar grandes lacunas para leguminosas, cereais, legumes, espécies fruteiras e culturas forrageiras, ou ainda identificar pontos de estrangulamento no mercado das sementes biológicas.

Para mais informação consultar https://www.liveseed.eu/

Publicado em 13.04.2020
Fonte: GabCom | UÉ