Laboratório HERCULES estuda amostras de tesouros internacionais históricos

O Laboratório HERCULES da Universidade de Évora (UÉ) inventariou, documentou e reorganizou uma coleção de aproximadamente mil e duzentas amostras de Paolo e Laura Mora, onde se podem encontrar exemplares de vários países e de monumentos de cariz histórica excecional, como é o caso do túmulo de Nefertari, no vale das rainhas no Egipto.

Encontra-se em fase de finalização a primeira fase do projeto internacional “The Mora Sample Collection Project” da responsabilidade do Laboratório HERCULES da UÉ que desde 2018 se encontra a organizar esta coleção de amostras históricas no Centre for the Study of the Preservation and Restoration of Cultural Property (ICCROM) em Itália.

O objetivo principal foi o de inventariar, documentar e reorganizar uma coleção de aproximadamente mil e duzentas amostras reunidas entre a década de sessenta e oitenta por Paolo e Laura Mora, duas figuras incontornáveis no campo da conservação e restauro reconhecidos internacionalmente pelo seu trabalho desenvolvido no Instituto Central de Restauro de Roma e enquanto consultores e docentes do curso de Pintura Mural do ICCROM, um Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauro de Bens Culturais.

Na coleção do casal Mora podem encontrar-se fragmentos do túmulo de Nefertari, no vale das rainhas no Egipto, contudo, esta coleção abrange os vários continentes do mundo. Podemos encontrar outro exemplo no Irão, mais precisamente em Persépolis, aquela que foi uma das capitais do Império Aqueménida, cuja construção se iniciou no reinado de Dario I e continuou ao longo de dois séculos até à conquista do império persa por Alexandre Magno. É nesta cidade que se localiza o Palácio Tachara, cuja construção se efetivou após a morte de Dario I em 486, pelo seu filho e sucessor Xerxes I, que lhe atribuiu o nome de “palácio de inverno”. O Palácio Tachara ficou intacto durante as incursões de Alexandre o Grande, no século IV aC, quando várias outras estruturas em Persépolis foram danificadas ou destruídas.

Já na Europa, também podemos encontrar alguns exemplos destes tesouros culturais, um deles situado em Bijacovce, uma vila e município do distrito de Levoča, na região de Prešov, no centro-leste da Eslováquia. A vila fica ao longo da famosa Rota Gótica, local onde se pode encontrar uma construção adjacente à igreja paroquial de Todos os Santos, designada de Rotunda, devido à sua forma circular, estando coberta por uma única cúpula sem abóbada. Feita em pedreira no século XIII e dedicada aos Santos Cosmos e Damião, a Rotunda poderia ter sido originalmente construída como uma capela para peregrinação, sendo que no seu interior abriga pinturas de vários períodos, desde a Idade Média até ao período contemporâneo.

“A coleção de amostras reunida por este casal, e doada na década de noventa ao ICCROM pode ser considerada uma das mais completas a nível mundial no que toca a pintura mural pela variedade de materiais e de técnicas presentes. Tratam-se de amostras oriundas de 34 países e de 112 sítios/monumentos, alguns dos quais de difícil acesso ou interditos atualmente”. Esta é a opinião de Milene Gil, a Investigadora da UÉ responsável pelo projeto que executou e coordenou os trabalhos realizados por uma equipa multidisciplinar na sede do ICCROM em Roma e na Universidade de Évora. O output final do projeto também criado na Universidade de Évora, por José Saias e Luís Rato do Departamento de Informática, é uma base de dados para a divulgação das imagens e dados recolhidos durante os dois anos de trabalho. Esta base de dados em Open Access será no futuro partilhada por toda a comunidade científica e público em geral.

Publicado em 09.12.2019
Fonte: GabCom | UÉ