Conferência: Fome de quê? processos de criação teatral na rede pública de ensino de Salvador

Profª Doutora Celida Salume Mendonça

Universidade Federal da Bahia – Brasil, Investigadora em Pós-Doc (CHAIA-EU) e Profª convidada DAC/EA - Universidade de Évora 

Resumo: Trata-se de uma pesquisa voltada para a prática do professor de teatro inserido no sistema público de ensino em caráter curricular. Para tanto, foram instaurados pela pesquisadora dois processos de criação teatral com alunos de uma turma de 4ª série e uma turma de 6ª série em duas escolas públicas da cidade de Salvador no ano de 2007. Nesse contexto, a Fome e a invisibilidade foram reconhecidos como elementos que saltam aos olhos, dando título a pesquisa. A Fome identificada nesses espaços se refere à fome de imagens, de afetividade, de socialização, de visibilidade, de aulas planejadas, de descoberta, de prazer, de valorização, de materialidade e de tecnologia. E, sobretudo, fome de Arte, fome de Teatro. O trabalho é apresentado no formato de uma refeição,subdividido em três partes: Entrada, Prato Principal e Sobremesa. Fazem parte da Entrada os espaços constituídos pelo ambiente das duas escolas e seus arredores; um panorama do ensino público em Salvador; um olhar foucaultiano do corpo na escola através das relações de poder que este envolve; e a Escola, o Teatro e o Olhar como nutrientes para uma nova Atmosfera em construção na sala de aula. O Prato principal expõe o processo criativo em quatro momentos: um primeiro de relação e diagnóstico deste grupo; um segundo de experimentação, no qual alunos desenvolveram jogos improvisacionais a partir de diferentes pré-textos; um terceiro de seleção, em que os temas e conteúdos do grupo foram reconhecidos, sugerindo a escolha de um texto para uma das turmas; e um quarto momento de apreciação no qual os alunos saborearam seus produtos parciais. A Sobremesa, o último prato da refeição, traz as considerações finais, apresentando os princípios que nortearam os processos de criação: o pré-texto, a multiplicidade e a formatividade. As reflexões revelaram que o ensino de teatro age como possibilidade de amenizar essa Fome e rasgar o caos instalado na escola pública.Trabalhar com uma presença ativa, com elementos concretos, mobilizou os alunos, ajudando-os a reagir às experiências instauradas, confirmando a função da materialidade no processo criativo. A pesquisa aponta possibilidades concretas de democratização do acesso ao teatro despertando novos apetites e provocando o gosto pela fruição artística.  
Em 11.12.2019
17:30 | Auditório do Colégio Pedro da Fonseca
Fonte: GabCom | UÉ
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